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Pedro Henrique Oliveira Fiuza Costa
Graduação em Direito pela UFMG.
Pós-Graduação lato sensu em Gestão de Instituições Federais de Educação
Superior, pela Faculdade de Educação da UFMG.
Mabel Melo Sousa
Mestre em Psicologia pela Universidade
Federal do Ceará (2009). Especialista em Família, Uma Abordagem Sistêmica, pela
Universidade de Fortaleza (2008). Especialista em Saúde da Família pela Escola
de Saúde Pública do Ceará (2014).
Resumo
Este projeto visa a promover uma
investigação sobre meios de favorecer a mobilidade internacional de estudantes
de graduação da UFMG, em um contexto de ampliação do número de convênios e de
vagas, mas restrição de recursos orçamentários. Será realizada uma pesquisa,
junto à comunidade discente de graduação, acerca das motivações para a
mobilidade, e dos principais desafios que se colocam no caminho dos estudantes.
A pesquisa ocorre no marco de diversos estudos realizados entre os discentes de
outras universidades brasileiras, relativos à implementação de programas de
mobilidade internacional (em particular, do Programa Ciências sem Fronteiras);
e do Guia “CAMINOS: Enhancing and Promoting Latin American Mobility”, um
projeto Erasmus+ para capacitação na área do ensino superior. Desta forma,
temos em mente: favorecer o diálogo e a participação da comunidade discente no
processo de internacionalização da Universidade; diagnosticar a efetividade das
políticas atualmente adotadas na condução dos processos de intercâmbio; buscar
alternativas com melhor relação custo-benefício para fomentar as mobilidades;
oferecer aos discentes uma experiência mais agradável e proveitosa, pessoal e
academicamente; e estender as oportunidades de intercâmbio a um número maior de
estudantes, otimizando o aproveitamento das vagas já ofertadas.
Palavras-chave: Intercâmbio; Internacional;
Mobilidade; Graduação.
Por “mobilidade internacional no nível da graduação”,
tema central deste projeto, consideramos o período de estudos de graduação
realizados em uma instituição estrangeira, normalmente, de seis meses ou um
ano, de modo que disciplinas cursadas no exterior sejam consideradas para a
integralização dos créditos acadêmicos devidos pelo estudante para a sua
formação, mas sem que haja a expectativa, por parte do estudante ou da
instituição de origem, de obtenção de grau ou diploma emitido pela instituição
anfitriã[1].
Dada a complexidade do tema, e para melhor delimitar o
escopo da pesquisa, trataremos, mais especificamente, da mobilidade “outgoing”
(isto é, a partida de estudantes da UFMG para instituições de ensino superior
estrangeiras), por meio do Edital Unificado para Mobilidade Internacional. Tal
edital é adotado como meio de seleção para os programas Minas Mundi, Escala
Estudantil (da Associação de Universidades do Grupo Montevidéu - AUGM),
Programa de Mobilidade Acadêmica Regional para Cursos Acreditados (MARCA),
Santander Ibero-Americanas, e demais oportunidades de intercâmbio que forem
ofertadas para discentes de graduação da UFMG[2].
Julgamos que a referida mobilidade é uma oportunidade
valiosa posta à disposição dos estudantes da UFMG, na medida em que oferece
benefícios acadêmicos, profissionais e pessoais (ARCHANJO, 2016).
Entre os benefícios acadêmicos, podemos citar a
possibilidade de os estudantes realizarem parte de seus estudos em instituições
de prestígio internacional, aprimorarem a sua proficiência em idiomas
estrangeiros, e experimentarem técnicas didáticas diferentes daquelas
praticadas no Brasil (por vezes, passando a encarar o processo pedagógico de
modo mais crítico, e desenvolvendo a capacidade para estudar de forma mais autônoma).
Com relação aos benefícios profissionais, a experiência
no exterior pode contar como um diferencial no currículo do estudante,
especialmente tendo em vista as condições cada vez mais competitivas do mercado
de trabalho. Nota-se que este desenvolvimento acadêmico e profissional não
interessa apenas ao estudante, mas à sociedade de modo geral, já que favorece o
progresso científico e tecnológico, e o ganho de competitividade do país
(FELTRIN, 2016).
Finalmente, no que tange aos benefícios pessoais, cabe
mencionar que o estudante terá a possibilidade de estar em contato com culturas
diferentes (não só aquela do país anfitrião, mas também, a de outros estudantes
intercambistas, de diversas nacionalidades, com os quais o aluno se relaciona
durante o período de mobilidade); ademais, para muitos estudantes da UFMG, o
intercâmbio é a primeira experiência de viagem internacional e/ou de
afastamento da família por um longo período de tempo.
Nos últimos cinco anos, em meio à grave crise econômica e
financeira que afeta o país, a Universidade Federal de Minas Gerais tem sido
forçada a limitar o financiamento de diversas atividades, inclusive aquelas que
poderiam impulsionar o seu processo de internacionalização[3].
Entre estas atividades, poderiam ser citados o envio de
missões ao exterior, para divulgar os cursos oferecidos e as pesquisas conduzidas
pela UFMG; a realização de eventos para receber missões estrangeiras; a
organização de palestras e workshops
sobre internacionalização, tendo como público-alvo a comunidade discente e
docente; a concessão de bolsas para a mobilidade internacional (de entrada e
saída) de estudantes de graduação, pós-graduação, professores e pesquisadores;
a expansão do número de vagas e de bolsas para os cursos de línguas
estrangeiras realizados pela Universidade; o desenvolvimento de cursos de verão
e disciplinas ministradas em idiomas estrangeiros, particularmente em inglês; e
a concessão de gratuidade ou de descontos, em benefício de estudantes
estrangeiros, para o uso dos restaurantes universitários e da residência
estudantil, tendo em vista atrair um maior número desses alunos e fornecer a
eles uma experiência mais confortável no Brasil[4].
Apesar do obstáculo orçamentário, observa-se que, neste
mesmo período, a UFMG expandiu consideravelmente o número de parcerias
internacionais, inclusive, com relação ao número de vagas e instituições
disponíveis para a mobilidade discente no nível da graduação[5].
A título de exemplo, entre dezembro de 2015 e setembro de 2019, o número de
convênios que abarcam o intercâmbio de estudantes de graduação passou de 169,
com instituições de 45 países, para 266, com instituições de 56 países.
Nos últimos anos, infelizmente, observa-se um sub-aproveitamento
considerável das vagas oferecidas. A cada ano, o número de inscritos para
programas de mobilidade internacional, frequentemente, chega a ser menor que o
número de vagas ofertadas. No ano de 2018, por exemplo, foram aproveitadas
apenas 236 das 681 vagas oferecidas. Ademais, dos estudantes de graduação que
participaram da mobilidade, nenhum aproveitou vagas ofertadas no Japão,
Áustria, Rússia ou San Marino.
Não se trata de um problema apenas da Universidade
Federal de Minas Gerais, do Brasil, ou mesmo, de um contexto de crise econômica
e financeira. Segundo a “Pesquisa Regional sobre Internacionalização da
Educação Terciária na AL e no Caribe”, realizada em 2016 pelo Observatório
Regional sobre Internacionalização e Redes em Educação Terciaria (OBIRET), apesar
do aumento relativo do número de matrículas na educação superior e dos esforços
realizados pelas instituições, organismos internacionais e Estados, a taxa de
mobilidade internacional na América Latina continua sendo relativamente baixa.
Ainda segundo essa pesquisa, o processo de
internacionalização na região avançou nos últimos anos, e entre as conquistas
atingidas estão a crescente importância da internacionalização nas agendas e
prioridades institucionais; houve uma revalorização, ainda que limitada, das
estruturas de gestão na hierarquia institucional; um aumento significativo no
número de programas e atividades de internacionalização, principalmente na
linha da formação internacional de recursos humanos no âmbito da pós-graduação,
em mobilidade de acadêmicos e estudantes de graduação, na participação em redes
internacionais de pesquisa, e em programas de cooperação intrarregional; bem
como notáveis esforços para melhorar o nível de domínio de outros idiomas.
Deste modo, e levando em conta que, até o presente
momento, o número de convênios internacionais e o de vagas de intercâmbio
continuam em expansão, coloca-se a questão a respeito de como a Diretoria de
Relações Internacionais da UFMG poderia contribuir para aproveitar um
percentual mais elevado das vagas oferecidas em programas de mobilidade
internacional no nível da graduação.
O sub-aproveitamento das vagas de intercâmbio colocadas à
disposição dos estudantes é lamentável, não apenas por consistir no desperdício
de uma oportunidade, como também pelo fato de que o estabelecimento de
parcerias internacionais e a negociação de vagas exigem o esforço de diversos
membros da comunidade acadêmica (professores e funcionários
técnico-administrativos), o qual acaba não sendo aproveitado como gostaríamos.
Neste sentido, parece-nos que uma alternativa útil e com
boa relação custo-benefício para lidar com este problema seria investigar,
entre diferentes setores da Diretoria de Relações Internacionais, e entre os
próprios estudantes, quais seriam as razões que justificam o desinteresse ou
impossibilidade de os alunos ocuparem uma parcela maior das vagas oferecidas.
Conforme trataremos mais detalhadamente, a seguir, temos
uma ideia geral de algumas razões pelas quais essa situação poderia ter se
configurado. Cabe, entretanto, verificar qual seria a relevância de cada fator,
e se haveria outros motivos para os quais não atentamos.
É importante mencionar que há um bom número de estudos
realizados no Brasil acerca dos benefícios e desafios da mobilidade
internacional no nível da graduação. Neste sentido, podem ser citados artigos
acerca do impacto do programa Ciências sem Fronteiras no curso de Odontologia
da Universidade Federal de Santa Maria (PITHAN, 2017); sobre o desenvolvimento
de habilidades e competências no estágio, via Ciências sem Fronteiras, no
sistema de saúde pública da Catalunha, na Espanha, de 2018 (STEIN, 2018);
acerca da experiência da mobilidade acadêmica internacional na Irlanda, por
meio do programa Ciência sem Fronteiras, durante a graduação de Enfermagem,
(GUSKUMA, 2016); e relativamente à mobilidade internacional na graduação em
Medicina, (FERREIRA, CARREIRA, BOTELHO, 2017).
Ao mesmo tempo, cabe ressaltar que grande parte das
pesquisas é bastante recente, e refere-se ao impacto do Programa Ciências sem
Fronteiras, implementado pelo governo federal em 2011. Julgamos que seria
pertinente atentar para os apontamentos das referidas pesquisas já realizadas,
ao mesmo tempo em que conduzimos uma investigação específica relativa à
situação atual da UFMG, com foco nos seus programas de mobilidade.
A realização do projeto dependeria da disponibilidade de
alguns setores da Diretoria de Relações Internacionais para debater o problema
e pensar em formas de incluir os estudantes na discussão, não havendo a
previsão de que isso implicasse qualquer dispêndio financeiro.
O diagnóstico resultante seria útil, inclusive, para
verificar quais ações concretas poderiam ser adotadas na mitigação dos
problemas constatados, e ainda, para melhor orientar a política de
internacionalização da Universidade nos próximos anos.
O objetivo geral do projeto é diagnosticar obstáculos que
impeçam o aproveitamento de um percentual mais elevado das vagas de mobilidade
internacional, no nível da graduação, por meio do Edital Unificado para
Mobilidade Internacional, da UFMG. Dessa forma, poderíamos perceber com mais
exatidão quais alternativas trariam melhor relação custo-benefício,
considerando o quadro atual de escassez de recursos orçamentários.
Já os objetivos específicos consistem em aprimorar a
comunicação entre diferentes setores da Diretoria de Relações Internacionais e
entre esta e a comunidade discente, conforme detalhado adiante.
A pesquisa que se pretende conduzir é de caráter
predominantemente empírico, e o seu marco teórico é composto, sobretudo, por
relatórios da Diretoria de Relações Internacionais apontando o número de
convênios internacionais, de vagas oferecidas e de instituições conveniadas,
entre outros dados pertinentes; e pela bibliografia da disciplina de
Metodologia Científica do curso de pós-graduação “lato sensu” em “Gestão de Instituições
Federais de Educação Superior”, promovido pela Faculdade de Educação da UFMG.
A orientação fornecida pela referida bibliografia diz
respeito à conceituação e caracterização da pesquisa científica, em particular,
do projeto de intervenção, e de certos cuidados que devem ser tomados pelo
pesquisador na condução de um projeto desse tipo.
Entre estes cuidados, podem ser mencionados: a clareza,
adequação formal e objetividade da linguagem adotada; o caráter metódico e
racional da pesquisa, caracterizada por fases e procedimentos previamente
planejados, mas passivos de revisão pelo pesquisador; a necessidade de
estimular, entre os pesquisados, o interesse por colaborar com a pesquisa, e
não intimidá-los; e o dever do pesquisador de se afastar de preconcepções
acerca do problema investigado, e de buscar a imparcialidade e objetividade na coleta
e interpretação de dados.
Ademais, a pesquisa considerou diversos artigos que
tratam de desafios e benefícios da mobilidade internacional, conforme citado na
justificativa. Estes textos são úteis, em particular, no sentido de que contêm
relatos dos estudantes a respeito de dificuldades encontradas no processo da
mobilidade. Isto fornece um balanço preliminar da situação, e auxilia na
formulação das perguntas que serão apresentadas aos estudantes. Ao mesmo tempo,
é bastante encorajador verificar que, mesmo com todos os obstáculos, os alunos
costumam relatar que o saldo foi bastante positivo, e que a experiência será
lembrada por eles por toda a vida. Isso nos estimula a buscar ampliar essa
oportunidade a tantos estudantes quanto esteja ao nosso alcance.
Cabe mencionar, finalmente, o relatório “CAMINOS: Enhancing
and Promoting Latin American Mobility”, o qual é um projeto Erasmus + para
capacitação na área do ensino superior, cofinanciado pela União Europeia, e
coordenado pela associação “Observatorio de las Relaciones Unión Europea”
(OBREAL). Este relatório relaciona diversas políticas e práticas úteis para a
promoção da internacionalização, com especial atenção a medidas com boa relação
custo-benefício, em consideração à limitação de recursos orçamentários que
muitas instituições latino-americanas enfrentam.
O relatório faz referência à “Pesquisa Regional sobre
Internacionalização da Educação Terciária na AL e no Caribe”, a qual realiza um
apanhado histórico dos processos de internacionalização na região,
contextualiza e aborda a relevância deste processo; ademais, propõe uma matriz
de políticas de internacionalização dividida em cinco eixos complementares, com
diferentes graus de complexidade, e cada um deles constituído por uma série de
subtópicos: 1) “Redes e convênios”, que abarca a identificação de sócios, a
seleção e vinculação com sócios estratégicos, e o desenho de programas
objetivos, com detalhamento claro sobre fontes de financiamento, áreas e
duração das mobilidades; 2) “Logística e serviços”, que inclui a orientação dos
estudantes previamente à mobilidade, apoio na obtenção de vistos, concessão de
bolsas, ajuda para a hospedagem (em residência universitária, se possível),
oferta de um curso do idioma da anfitriã (a ser realizado antes do intercâmbio,
na instituição de origem, ou durante o intercâmbio, na anfitriã), e serviços de
inserção (serviço de madrinha/padrinho, eventos culturais, e passeios guiados a
festivais e pontos de interesse histórico e cultural); 3) “Reconhecimento”, que
trata de acordos interinstitucionais para a validação de créditos e títulos, e
para a concessão de duplo-diploma; 4) “Promoção e divulgação”, pertinente aos
serviços de informação e divulgação das oportunidades de intercâmbio entre os
estudantes da Universidade, além da promoção da imagem da Universidade entre as
comunidades acadêmicas de suas parceiras estrangeiras; e, finalmente, 5) “Sistema
de informação”, que diz respeito ao acompanhamento e avaliação periódica de
resultados, e proposta de alternativas de aperfeiçoamento.
Para a implementação dessas políticas, o próprio
relatório sugere uma série de atividades, como: pesquisas, grupos focais, workshops, visitas de estudos e
seminários, que permitiram a construção de um quadro analítico para compreender
as experiências práticas e tendências dos diferentes aspectos da mobilidade e de
sua gestão. É ressaltado, inclusive, que não há apenas um modo de gerir a
mobilidade ou de conduzir a internacionalização, sendo que a matriz proposta
tem como fim possibilitar aos gestores identificar ferramentas que possam
parecer mais apropriadas e relevantes, considerando a realidade local de cada instituição.
A metodologia utilizada para a coleta de dados e
informações inclui reuniões informais de equipe, com a presença dos setores
envolvidos na formalização de parcerias internacionais (Setor de Convênios
Internacionais), na redação do Edital Unificado para Mobilidade Internacional,
orientação e seleção de candidatos (Setor de Mobilidade Internacional), e na
interface com a comunidade discente para a promoção de programas e eventos,
além da resposta a questões gerais sobre a Diretoria (Comunicação). A partir
disso, foram formulados questionários para serem respondidos pelos estudantes.
Versões destes questionários constam, neste trabalho,
como Apêndice A e Apêndice B. Os modelos de questionário e o cronograma de
atividades serão submetidos à avaliação do Comitê de Ética em Pesquisa da UFMG,
em conformidade com a Resolução nº 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde, que
trata de pesquisas e testes em seres humanos. Isso será feito antes do início
da pesquisa, e, caso necessário, serão feitas adequações adicionais ao projeto.
Então, haverá a divulgação dos questionários, por e-mail.
Eles estarão disponíveis para resposta por um prazo a ser definido. Os dados coletados
serão sistematizados por meio de relatórios acompanhados de tabelas e gráficos.
Com base na bibliografia mencionada ao longo deste
projeto, e pela experiência do trabalho na Diretoria de Relações Internacionais,
temos em mente algumas hipóteses que poderiam explicar o problema do
sub-aproveitamento de vagas. Entre elas (sem a pretensão de elaborar uma lista
exaustiva) podemos mencionar: a falta de informação precisa, detalhada e em
tempo hábil a respeito das oportunidades de intercâmbio e das condições para
pleitear uma bolsa; a insatisfação com os valores e condições para acesso às
bolsas; a falta de proficiência linguística por parte dos alunos,
principalmente, em línguas estrangeiras que não o inglês; a resistência dos
estudantes à possibilidade de um atraso da data de sua formatura; o
comprometimento dos estudantes com contratos de estágio, de trabalho e/ou de
aluguel que eles não querem ou não podem rescindir, para realizar a mobilidade;
comprometimentos familiares (necessidade de permanecer no Brasil para cuidar de
filhos, pais, irmãos mais novos, etc.); o fato de que alguns estudantes
procrastinam e postergam a sua candidatura ao processo seletivo até que, muito
próximos da formatura, desistem; a carência, nos editais, de instituições ou
áreas que sejam de particular interesse dos estudantes; a falta de interesse
pela experiência do intercâmbio, independente das condições oferecidas; a
burocracia relacionada à mobilidade (incluindo o registro do afastamento da
UFMG, a obtenção de visto e de seguros, a matrícula na instituição estrangeira,
e a validação de créditos junto ao Colegiado de Graduação, quando o estudante
retorna à UFMG); e o medo e sentimento de insegurança dos estudantes em relação
a outros desafios da mobilidade internacional (como acompanhar aulas em um
idioma estrangeiro, afastar-se dos amigos e da família por vários meses, e lidar
com diferenças culturais e com a possibilidade de rejeição e xenofobia no país
anfitrião).
Acreditamos que todos estes fatores contribuam para o
problema, mas não temos plena clareza sobre qual seria, do ponto de vista dos
estudantes, a ordem de relevância destes obstáculos, ou mesmo, se haveria
outros para os quais não atentamos.
No caso de estudantes em geral (que responderão o
questionário apresentado no Apêndice A), será pedido para indicar, de 1 a 5,
qual a relevância de cada fator, sendo 1 “pouco, ou nem um pouco relevante”, e
5 “muito relevante”; além disso, há um espaço reservado para que eles citem
outros fatores que julguem pertinentes, mas que não tenham sido abordados no
questionário.
Já para os estudantes que retornaram de um intercâmbio
nos últimos dois anos (e que responderão o questionário indicado no Apêndice
B), as questões incluem pontos como: em uma lista das instituições que mais lhe
interessavam, aquela em que você foi alocado(a) estava em qual posição? Qual
fator (interesse pela instituição estrangeira, pela cultura do país,
recomendação de um colega ou professor, ou outro) motivou a escolha desta
instituição? Caso tenha ido a uma instituição de língua estrangeira (em caso
positivo, favor indicar o idioma), o nível de proficiência exigido (favor
indicá-lo, também) no processo seletivo foi suficiente para acompanhar as
atividades acadêmicas de modo fluido? O custo de vida na cidade anfitriã (favor
indicá-la) é similar, muito mais alto, ou muito mais baixo que o brasileiro?
Você recebeu auxílio financeiro da UFMG ou da instituição estrangeira? Em caso
positivo, o auxílio cobriu qual porcentagem do total de gastos com alimentação,
transporte e moradia? Dos créditos cursados no exterior, quantos foram
reconhecidos na UFMG? Este resultado correspondeu às suas expectativas? Você
está satisfeito com ele?
Considerando o número de estudantes que buscam a Diretoria
de Relações Internacionais para se informar sobre a mobilidade internacional
(ainda que muitos acabem por não se inscrever), de candidatos em processos
seletivos, e de participantes selecionados para os programas de mobilidade,
consideramos razoável a expectativa de que ao menos 200 estudantes de graduação
teriam interesse em participar de uma primeira edição da pesquisa.
Não está previsto o dispêndio de recursos financeiros
para a realização do projeto, bastando, para tanto, a dedicação de algumas
horas do trabalho de funcionários da Diretoria de Relações Internacionais da
UFMG, envolvidos na organização do processo seletivo de mobilidade
internacional discente de graduação.
Finalmente, os dados coletados seriam apresentados à
equipe, para conhecimento e novo debate. Sendo julgado conveniente, o mesmo
processo poderia ser repetido em anos subsequentes, de modo, inclusive, a
auxiliar no acompanhamento de ações voltadas para a promoção da
internacionalização da universidade no nível da graduação.
Julho de 2020:
Conhecimento do objeto de estudo e definição da investigação.
a) Realização
de reuniões informais de equipe, para apresentação do projeto e debate;
b) Detalhamento
do plano de pesquisa.
Agosto de 2020: Revisão e divulgação de questionários.
a) Revisão de
questionários, elaborados como Formulários Google, tendo por público-alvo os
estudantes de graduação da universidade, e divulgado por e-mail;
b) Submissão
do projeto à avaliação do Comitê de Ética em Pesquisa da UFMG;
c) Envio, por
e-mail, dos questionários aos estudantes.
Novembro de 2020: Investigação, análise e compilação de
dados.
a) Exame e
síntese dos dados obtidos;
b) Análise dos
dados levantados, comparando-os com as hipóteses inicialmente consideradas.
Dezembro de 2020: Elaboração e depósito do trabalho.
a) Discussão
com o orientador;
b)
Redação
do texto com posterior depósito do trabalho.
Julga-se que ter um melhor entendimento do problema
apresentado seria útil, no futuro, para a elaboração de outros projetos
voltados para a mitigação dos referidos obstáculos, além de servir para melhor
orientar a estratégia da Universidade na busca por parceiros internacionais.
Com relação às formas de Avaliação/Acompanhamento e
Controle das ações do Projeto de Intervenção, haveria discussão do projeto com
o orientador; e apresentação de um relatório final à equipe, para conhecimento
e novo debate. Sendo julgado conveniente, o mesmo processo poderia ser repetido
em anos subsequentes, de modo, inclusive, a auxiliar no acompanhar de ações
voltadas para a promoção da internacionalização da universidade no nível da
graduação.
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Maria Margarida de. Introdução à
metodologia do trabalho científico. 3ª edição. São Paulo: Atlas, 1998.
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American Mobility. Caminos Project, 2019. Disponível em:
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agosto executadas, UFMG trabalha pelo desbloqueio orçamentário. Universidade
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de Pesquisa em Administração. 4ª edição. São Paulo: Atlas, 1990.
Apêndice A: 1º Questionário de Mobilidade Internacional de Graduação
Apêndice B: 2º Questionário
de Mobilidade Internacional de Graduação
[1] Apresentação
da Diretoria de Relações Internacionais da Universidade Federal de Minas
Gerais. Disponível em: <https://www.ufmg.br/dri/diretoria/apresentacao/>.
Acessado em 20/09/2019.
[2] Edital
unificado para participação em programas de mobilidade internacional – Edital
004/2019. Diretoria de Relações Internacionais da Universidade Federal de Minas
Gerais, 2019. Disponível em: <
https://www.ufmg.br/dri/edital-unificado-para-participacao-em-programas-de-mobilidade-internacional-edital-0042019/>.
Acessado em 20/09/2019.
[3] “Com
as despesas de agosto executadas, UFMG trabalha pelo desbloqueio orçamentário”.
Universidade Federal de Minas Gerais, 2019. Disponível em:
<https://ufmg.br/comunicacao/noticias/com-as-despesas-de-agosto-executadas-ufmg-trabalha-pelo-desbloqueio-orcamentario>.
Acessado em 20/09/2019.
[4] Apresentação
da Diretoria de Relações Internacionais da Universidade Federal de Minas
Gerais. Disponível em: <https://www.ufmg.br/dri/diretoria/apresentacao/>.
Acessado em 20/09/2019.
[5] Internacionalização:
Relatório de Autoavaliação Institucional Primeiro Relatório do Ciclo Avaliativo
2018-21. Diretoria de Relações Internacionais Universidade Federal de Minas
Gerais. Fevereiro de 2019